PRINCIPAIS DOENÇAS TRATADAS

Amiloidose cardíaca: investigação especializada e diagnóstico precoce

Avaliação especializada para pacientes com suspeita ou diagnóstico de amiloidose, com foco em identificar o tipo da doença, reconhecer o acometimento cardíaco e organizar a investigação de forma segura.

Atendimento em Curitiba e por teleconsulta.

O que é amiloidose

A amiloidose é uma doença causada pelo depósito anormal de proteínas malformadas, chamadas proteínas amiloides, em diferentes órgãos do corpo. Essas proteínas se acumulam entre as células de alguns órgãos, prejudicando o funcionamento. Com o tempo, isso pode levar à disfunção progressiva de órgãos como:

  • Coração
  • Nervos periféricos (principalmente dos braços e das pernas)
  • Rins
  • Fígado
  • Sistema digestivo
  • Língua
  • Pele

A gravidade depende do tipo de proteína amiloide depositada e dos órgãos afetados.

Principais Tipos de Amiloidose

Existem vários tipos, mas os dois mais comuns (mais de 90% dos casos) são:

1. Amiloidose AL (amiloidose de cadeias leves)

  • Causada por produção anormal de proteínas amiloides por células da medula óssea
  • Evolução geralmente mais rápida e mais grave
  • Exige tratamento onco-hematológico imediato (risco de vida)

2. Amiloidose ATTR (amiloidose Transtirretina)

  • Na amiloidose ATTR, uma proteína chamada transtirretina (TTR), produzida em grande parte pelo fígado, fica instável, se fragmenta e forma depósitos no coração. Esses depósitos deixam o coração mais rígido, dificultando seu funcionamento. Essa proteína também pode se depositar em outros órgãos como nervos periféricos, intestino e rins, prejudicando seu funcionamento.
  • Pode ser dividida em 2 tipos de acordo com a causa de produção incorreta de transtirretina:
    • Hereditária (mutação genética que altera a produção de TTR)
    • Wild-type ou selvagem (relacionada ao envelhecimento formando proteínas TTR alteradas)
  • Evolução geralmente é mais lenta
  • Tratamento específico é diferente da AL amiloidose

Diferenciar AL de ATTR é fundamental, pois o tratamento é completamente diferente.

Sintomas e sinais de alerta

Os sintomas variam conforme o órgão acometido. Em muitos casos, eles podem ser confundidos com problemas mais comuns, o que atrasa a investigação.

  • Quando afeta o coração: falta de ar (que pode piorar ao deitar), inchaço nas pernas, cansaço progressivo, tontura, desmaios e palpitações.
  • Quando afeta os nervos: formigamento nas mãos e nos pés, fraqueza e síndrome do túnel do carpo bilateral.
  • Quando afeta os rins: no começo pode não causar sintomas; com a evolução, pode surgir urina espumosa quando há grande perda de proteína na urina.
  • Quando afeta o sistema digestivo: pode não haver sintomas no início; em outros casos surgem diarreia, intestino preso (muitas vezes confundido com Síndrome do Intestino Irritável) e sensação de saciedade precoce.
  • Sinais clássicos da amiloidose AL: língua aumentada e manchas roxas ao redor dos olhos.

Se você tem sintomas como falta de ar, cansaço progressivo, túnel do carpo bilateral, formigamento ou recebeu suspeita de amiloidose, uma avaliação especializada pode ajudar a organizar a investigação.

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Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico da amiloidose envolve etapas e precisa ser organizado com cuidado. A suspeita começa na consulta, com análise da história clínica, sintomas, exame físico e interpretação conjunta dos exames.

Sempre que houver suspeita de amiloidose, três exames laboratoriais devem ser solicitados para investigar amiloidose AL:

  • Dosagem de cadeias leves livres no sangue, com relação kappa/lambda.
  • Imunofixação de proteínas séricas.
  • Imunofixação de proteínas urinárias em urina de 24 horas.

Se um ou mais desses exames estiverem alterados, existe suspeita de amiloidose AL e a avaliação por hematologista deve ser urgente. Se os três exames forem negativos, a amiloidose AL sistêmica é descartada e a investigação segue para cintilografia cardíaca com pirofosfato.

A cintilografia cardíaca com pirofosfato deve ser feita somente depois de descartar amiloidose AL. Quando alterada nesse contexto, ela aponta fortemente para amiloidose TTR. Esse exame é diferente da cintilografia cardíaca com estresse e idealmente deve ser realizada e laudada por centro com experiência, porque podem ocorrer falsos positivos.

Exames que ajudam na investigação

Além dos exames laboratoriais e da cintilografia, outros testes ajudam a levantar a suspeita, avaliar os órgãos comprometidos e esclarecer dúvidas diagnósticas.

  • Eletrocardiograma: é importante na suspeita diagnóstica, mas um exame normal não descarta amiloidose sistêmica. Em fases iniciais de acometimento cardíaco, ele pode estar normal.
  • Ecocardiograma transtorácico: é o exame mais importante para a suspeita inicial de acometimento cardíaco. Chama atenção quando há aumento da espessura do músculo cardíaco sem outra explicação, como hipertensão não controlada ou estenose importante da valva aórtica.
  • Ecocardiograma com strain: pode mostrar o padrão chamado apical sparing, em que a ponta do coração contrai relativamente melhor do que o restante. Esse achado pode ocorrer na amiloidose cardíaca, mas não está presente em todos os casos e também não confirma o diagnóstico sozinho.
  • Ressonância magnética cardíaca: pode mostrar alterações muito sugestivas de amiloidose cardíaca.
  • Eletroneuromiografia de membros superiores e inferiores: indicada quando há suspeita de acometimento neurológico. Exame normal não descarta envolvimento neurológico inicial pela doença.
  • Avaliação de fibras finas: realizado por um neurologista com experiência em doenças neuromusculares, sendo importante para identificar o acometimento neurológico inicial pela doença.
  • Teste genético para pesquisa de mutação TTR: realizado quando o diagnóstico de amiloidose TTR é confirmado e serve para diferenciar entre os subtipos TTR hereditária e TTR selvagem.
  • Outros exames podem ser necessários conforme o caso, como Holter de 24 horas, tilt test e exames de sangue incluindo NT-proBNP e troponina ultra sensível.

Quando a biópsia pode ser necessária

Em alguns casos, a confirmação diagnóstica depende de biópsia. O tipo de biópsia varia conforme a suspeita clínica e o órgão acometido.

  • Biópsia de medula óssea: fundamental para confirmar amiloidose AL.
  • Biópsia de gordura abdominal: principalmente nos casos de amiloidose AL.
  • Biópsia de glândula salivar: também mais usada em casos de amiloidose AL.
  • Biópsia renal: em alguns casos com suspeita de acometimento dos rins e dificuldade diagnóstica.
  • Biópsia cardíaca: realizada em poucos casos, especialmente quando ainda existe dúvida após os exames realizados.

Por que diferenciar AL de ATTR é tão importante

A amiloidose AL costuma ter origem na medula óssea, evolução mais rápida e tratamento com quimioterapia, terapias imunológicas e, em casos selecionados, transplante autólogo de medula óssea. Já a ATTR tem origem na transtirretina produzida principalmente pelo fígado, costuma evoluir mais lentamente e tem outras opções de tratamento.

Um erro nessa diferenciação pode atrasar o tratamento correto e impactar a sobrevida. Por isso, a sequência diagnóstica deve ser seguida com atenção.

Tratamento da amiloidose

O tratamento depende do tipo de amiloidose. Na amiloidose AL, o objetivo é interromper a produção das cadeias leves anormais, com terapias definidas pelo hematologista.

Na amiloidose cardíaca por transtirretina, o tratamento começa com medidas de suporte para controle dos sintomas e segue com terapias específicas, organizadas conforme o mecanismo de ação de cada medicamento.

No tratamento de suporte, o foco é aliviar os sintomas. Isso inclui diuréticos para reduzir inchaço e ajuste individualizado de medicamentos para insuficiência cardíaca. Algumas medicações tradicionais podem trazer benefício em casos selecionados, mas não tratam a causa da doença e nem sempre são bem toleradas.

Já os tratamentos específicos da amiloidose TTR são divididos em quatro mecanismos principais:

  • Estabilizar a proteína transtirretina para que não se deposite > chamados de estabilizadores da transtirretina
  • Diminuir a formação da proteína anormal > redutores ou silenciadores da produção de transtirretina
  • Editar permanentemente o gene da TTR no fígado (em estudo) > edição gênica
  • Remover o amiloide já acumulado (em estudo) > depletores da transtirretina

Os estabilizadores da transtirretina impedem que a proteína TTR se fragmente e forme novos depósitos. São medicamentos estabilizadores da transtirretina: tafamidis, acoramidis e diflunisal.

  • Tafamidis: foi o primeiro medicamento aprovado para amiloidose cardíaca por TTR, é de uso oral contínuo e atualmente é o único tratamento para essa condição disponível no SUS. Retarda a progressão da doença, mas não remove depósitos já existentes.
  • Acoramidis e diflunisal: também são estabilizadores da TTR, mas ainda não estão disponíveis no Brasil para compra.

Os redutores da produção de TTR atuam no fígado para diminuir a formação da proteína transtirretina.

  • Vutrisiran: aplicação subcutânea a cada 3 meses, de uso contínuo. Não está disponível no SUS, tem custo muito alto e pode ser usado em associação com o tafamidis.
  • Patisiran: semelhante ao vutrisiran, disponível no Brasil para amiloidose neuropática, mas não aprovado para o tratamento da amiloidose cardíaca.
  • Eplontersen: aprovado para amiloidose neuropática e ainda em estudo para amiloidose TTR cardíaca.

A edição gênica é uma estratégia ainda em estudo, com potencial para editar permanentemente o gene da TTR.

  • Nexiguran ziclumeran (NTLA-2001): permanece em estudo clínico nesse contexto.

Também estão em estudo terapias que tentam remover o amiloide já acumulado no coração.

  • ALX2220 (NI006) e coramitug: exemplos dessas terapias em investigação.

Hoje já existem tratamentos capazes de mudar a história natural da amiloidose por transtirretina. O diagnóstico precoce é fundamental, porque quanto antes o tratamento começa, melhores tendem a ser os resultados.

Se você já recebeu diagnóstico de amiloidose ou está em investigação, a consulta especializada ajuda a revisar exames, organizar os próximos passos e definir o encaminhamento adequado.

Agendar avaliação especializada

Quando procurar um especialista

Vale procurar avaliação especializada quando há sinais que levantam suspeita de amiloidose, principalmente em pessoas com sintomas de insuficiência cardíaca e outras manifestações sistêmicas sem explicação clara.

  • Insuficiência cardíaca com paredes do coração espessadas.
  • Síndrome do túnel do carpo bilateral precoce.
  • Histórico familiar de neuropatia.
  • Formigamento inexplicado em mãos e pés.
  • Associação de múltiplos sintomas sistêmicos sem causa definida.

DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas frequentes sobre Amiloidose

Amiloidose pode afetar o coração?

Sim. Quando há acometimento cardíaco, a amiloidose pode deixar o coração mais rígido e causar falta de ar, cansaço progressivo, inchaço, tontura, desmaios e palpitações.

Qual a diferença entre amiloidose AL e ATTR?

A amiloidose AL está ligada à produção anormal de proteínas por células da medula óssea e costuma ter evolução mais rápida. A ATTR envolve a proteína transtirretina, pode ser hereditária ou relacionada ao envelhecimento e tem tratamento diferente. Diferenciar as duas é essencial para indicar a terapia correta.

Como começa a investigação da amiloidose?

A investigação começa com consulta detalhada e suspeita clínica. Quando há suspeita, três exames laboratoriais para avaliar amiloidose AL são indicados: cadeias leves livres no sangue, imunofixação sérica e imunofixação urinária em urina de 24 horas.

Cintilografia com pirofosfato confirma amiloidose?

Esse exame pode indicar fortemente amiloidose TTR, mas deve ser interpretado no contexto correto. Antes dele, é preciso descartar amiloidose AL com os exames laboratoriais indicados, e o ideal é que a cintilografia seja feita em centro com experiência.